PF e GAECO e investigam compra de votos

A Justiça Eleitoral determinou nesta quinta-feira (27/09) o afastamento do cargo de três secretários da Prefeitura de Silva Jardim e de três Vereadores candidatos à reeleição, entre eles o Presidente da Câmara Municipal, após investigações da Polícia Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Promotoria Eleitoral de Silva Jardim. Segundo investigações, eles são suspeitos de envolvimento em esquema de compra de votos na cidade.

O dinheiro, segundo as investigações, viria de nove empresas que prestam serviços à Prefeitura e à Câmara Municipal. Na manhã desta quinta-feira, foi deflagrada a “Operação Arreica”, com o objetivo de recolher possíveis provas e produtos de crimes como fraude à licitação, crimes contra a administração, formação de quadrilha e captação ilícita de sufrágio. Agentes e delegados da PF e do Grupo de Apoio a Promotores de Justiça (GAP) do MPRJ cumpriram 34 mandados de busca e apreensão em gabinetes da Prefeitura, na Câmara dos Vereadores, na casa do Prefeito Marcelo Cabreira Xavier e nas empresas.

As investigações foram iniciadas em julho após denúncias e apontam que o grupo fraudava licitações no Município para contratação de empresas para abastecer o esquema. A partir de junho, a corrupção eleitoral passou a ser objeto de interceptação das investigações. Os Vereadores e candidatos à reeleição Robson Azeredo, José Américo Espindola da Silva e Flávio Eduardo da Costa Brito (Presidente da Câmara Municipal), além das Secretárias Municipais Vera Brito (de Turismo), irmã do Presidente da Câmara, Vilma Sodré (Educação) e Márcia Xavier (Governo), mulher do Prefeito, foram afastados. De acordo com as investigações, promessas de emprego em cooperativas que possuem contrato com o Município e na própria Prefeitura, dinheiro e até doação de material de construção eram oferecidos em troca de voto. A Polícia Federal monitorou os suspeitos com escutas telefônicas durante três meses.

Durante a “Operação Arreica”, foram apreendidos cheques, documentos, dinheiro em espécie e computadores. As empresas suspeitas de envolvimento eram dos mais variados ramos como sonorização de shows, banheiros químicos e transporte escolar. O Promotor de Justiça Bruno Gaspar de Oliveira Correa, membro do GAECO e Subcoordenador do 5º Centro de Apoio Operacional das Promotorias Eleitorais, informou que a investigação ainda está em curso e que o próximo passo é analisar o material apreendido. “O material vai nos abastecer de novas informações para possível oferecimento de denúncia”, disse o Promotor. A Justiça Eleitoral também suspendeu as atividades financeiras das empresas por tempo indeterminado, após requerimento do MP. Os suspeitos podem responder por formação de quadrilha e corrupção eleitoral.

Fonte: MPRJ