Uma grande atriz

 

Deborah Secco, sem dúvida alguma, se firmou como um dos maiores nomes do cenário artístico  

Sem abandonar o seu jeito menina de ser, Deborah Secco é um dos nomes consagrados do cenário artístico brasileiro / João Cotta-RG

Deborah Secco está de volta ao horário nobre global interpretando a vilã Karola, na novela “Segundo Sol”. Os seguidores do folhetim já sabem que Karola faz qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – quando o assunto é Beto Falcão (Emílio Dantas) por quem ela cultiva uma paixão doentia. Até roubar o filho dele com Luzia (Giovanna Antonelli) ela roubou. O menino roubado, Valentim (Danilo Mesquita), cresceu pensando que sua mãe é Karola. O jovem é a grande promessa de castigo para a vilã no final da história. É certo que ele jamais vai perdoa-la quando souber da farsa que envolveu ele e o pai, Beto Falcão.

Nos próximos capítulos da história de “Segundo Sol”, Karola e Remy (Vladimir Brichta) terão uma recaída no romance. Espertamente, ela consegue fazer com que o irmão de Beto pense que ela gosta dele de verdade, no entanto Karola só pensa em arranjar uma maneira de, mais uma vez, destruir o romance entre Beto e Luzia. E continuará com suas armações maldosas.

O fato é que Deborah Secco está fazendo bonito na telinha. Ela mesma contou que tem a preciosa ajuda do marido, Hugo Moura (que também está na trama, vivendo o personagem Robinho), que é baiano, na hora de compor o sotaque de sua personagem no folhetim.

Aos 39 anos de idade, Deborah Secco contabiliza três décadas de carreira artística e afirma que está vivendo um dos momentos mais mágicos da sua vida, desde que deu à luz a pequena Maria Flor, em 04 de dezembro de 2015. “Eu nasci pra ser mãe. Essa é a minha melhor função na vida”, garante.

Mas deixando a vida pessoal de Deborah Secco de lado, vamos relembrar um pouco de sua carreira. A atriz já esteve na pele de personagens dramáticos, como a sofrida Maria do Céu, em “A Favorita” (2008), mas também fez humor como é o caso da Darlene, em “Celebridade” (2003), e muito sensual, quando protagonizou o longa “Bruna Surfistinha” (2011).

Deborah Secco nasceu no Rio de Janeiro em 1979; a carreira artística começou logo aos oito anos de idade participando de campanhas publicitárias.  Aos dez anos sentiu o gosto do palco e um ano depois estava nos estúdios da Globo, gravando as cenas da novela “Mico Preto” (1990), interpretando a personagem Denise. Depois disso, atuou em vários seriados, sendo que fez muito sucesso como uma das protagonistas de “Confissões de Adolescente” (1995), exibido originalmente pela TV Cultura, depois no canal Multishow e Bandeirantes. Neste mesmo ano ela passou a fazer parte com exclusividade do casting global e, desde então, praticamente emendou um trabalho ao outro. Atualmente a atriz é tida como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, sendo que também tem suas marcas no cinema nacional. Nos palcos, desde a sua estreia em 1989, foram dezenas de espetáculos.

Deborah Secco começou cedo na profissão e garante que nunca teve dúvidas do caminho que pretendia seguir. “Eu não sei se virei, acho que nasci atriz. E nasci com muita certeza”. Em uma entrevista ao programa “Ofício em Cena” do canal pago GloboNews, Deborah contou como é o seu processo para construção de cada personagem, usando diários, recortes e colagens, e o desconforto que teve que superar para enfrentar as cenas de nudez em alguns trabalhos marcantes. Tanto o processo de trabalho quanto a superação do medo para as cenas de nudez, ela deve ao diretor Daniel Filho. Foi ele quem sugeriu que ela fizesse aos 13 anos, para a peça “Confissões de Adolescente”, um exercício para descobrir porque a personagem era tão masculina. Deborah passou a fazer pastas cheias de recortes e colagens e manteve o hábito. Todas as suas personagens têm signo, perfume, cor preferida, lembranças da escola, diário e cores de preferência. Uma delas já foi até mostrada no ar. A da Iris, da novela “Laços da Família” (2000), cheia de recortes de José Mayer, seu primo, e Vera Fischer, sua irmã na trama, e do Rio de Janeiro, cidade que ela sonhava conhecer.

Apesar do visual infantil, com direito a macacão e maria-chiquinha no cabelo, Iris já tinha um lado sensual. E Deborah conta que foi na novela “Suave Veneno” (1999) que Daniel Filho começou a aflorar esse lado seu. Deborah tinha 18 anos e sua personagem na trama era uma maria-chuteira muito bonita e sensual. Ela dizia ao diretor: “Daniel, você escolheu a atriz errada! Eu me achava o ser humano mais horroroso do planeta, andava de moletom para esconder o que tinha por trás”. O diretor pediu à figurinista Marília Carneiro que fosse à casa da atriz para trocar algumas roupas por peças do figurino da personagem, como saias e tops, para que Deborah incorporasse as peças à sua rotina. “Aquela novela foi muito trabalhosa para mim porque era o dia inteiro tendo que acreditar no que eu não acreditava. Eu não me achava linda, não me via capaz de seduzir ninguém”, conta a atriz. Ela ainda revela como superou o medo das cenas de nudez e lembra da frase de Daniel Filho que ela leva como lição para a vida: “A sua timidez, os seus medos e as suas vontades não podem ser maiores que a sua vocação”. E funcionou. “Eu descobri que a minha raiva, o meu medo, traziam para mim essa sensualidade. Hoje não tenho dificuldade de fazer cena de nudez porque aprendi a controlar esse desconforto”, explica a atriz.

Seja pelo medo ou pela raiva, de lá para cá Deborah coleciona personagens sensuais, entre elas “Bruna Surfistinha”, sobre a garota de programa homônima.

Sem dúvida alguma, Deborah Secco tem milhões de seguidores nas redes sociais e hoje é uma das mais importantes atrizes de sua geração. Exemplo de determinação a ser seguido por muitos artistas que estão lutando por um lugar ao sol, neste competitivo mundo dos holofotes.

 

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